19 de maio de 2014

---
24/04
Uma casa
Que não é um lar
Um lugar onde ninguém deseja ficar
Uns pais,
Que não fazem uma família
Não cuidam de nada
Nem da própria filha
Sofá e cama grande
Que não traz conforto
Por traz da linda porta
Da pra ver que é tudo morto
Uma TV grande, um radio potente
-Não serve pra nada, sua insolente!

Diz a mãe, sem pensar
Sem ver o tudo que esta a abalar
Sem ver a fraca estrutura
Que acaba de desmoronar
Mesmo ao chão
Nem sequer a mão
Para tentar ajudar

Já dizem a tempo
O que não tem em casa se busca fora
Qualquer migalha,
Qualquer carinho,
Qualquer conforto,
Qualquer espinho.

Troca por grama de praça
A própria cama
De onde foge, onde desgraça.
Bebida, sexo, droga e remédio
Qualquer coisa ajuda a fugir daquele tédio.

Mas não há remédio,
Só há assedio
Que junto com o resto
Se torna tragável

Acendido e apagado
Como cigarro vagabundo
Pior que qualquer coisa,
Qualquer coisa desse mundo

Não se importa em estar no fundo
Se os olhos não veem,  coração se mantem mudo.

Vale qualquer coisa,
Qualquer trouxa,
Vagabundo
Qualquer pirralho,
Imundo.
E o pai parece surdo,
Não percebe nada,
Nem sequer um segundo.
Deixa tudo passar
Por que
Porque é uma casa
Não é um lar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário