9 de fevereiro de 2014


"movimento" "punk"

 com ênfase nas aspas acima, vou me referir a "cena" que vi mais de perto, os roqueiros de Novo Hamburgo.

Fazem 3 anos já, creio eu. Lembro que eu via, passava, sempre com vontade de estar lá, me sentia parcialmente incluído com o pessoal de spikes e camisas de bandas.

Até que um dia consegui um contato, uma pontezinha,

Aos poucos, fui me incluindo, conhecendo mais de perto,

e quanto mais eu conhecia, mais decepcionado ficava, achava-os cada vez mais fúteis e toscos.

Não estavam lá pela contracultura, pela parceria, pela música, nem por nada disso. Estavam lá porque não tinham nada melhor pra fazer, não tinham lugar nenhum pra ir, nem dinheiro pra nada. Ficavam ali pra fumar, fumavam ali pra beber, bebiam pra fumar, às vezes iam a algum lugarzinho com uma mesa de sinuca. Ideologia, política, sociedade, religião, nada disso, nem sobre a musica em comum que ouviam sequer falavam, nada debatiam, nada faziam.


Reclamavam,
funkeiros e suas vestimentas ridículas e a clássica falta de fones de ouvido. Mas acha que eles usavam fones? Acha que as roupas deles se encaixavam discretamente na massa da sociedade dominante?
Até parece,, Falam mal,fazem igual.

Reclamavam
Preconceito contra eles, olham 'torto' para todos, ficam pelas ruas expelindo fedor de cigarro e bebida barata, roupas, acessórios, educação atitude, sempre do modo mais agressivo possível. O que sofriam não era de pré-conceito sem base. Sofriam de um conceito já formado, baseado em fatos. A discriminação contra eles, os próprios causaram.

Mas o pior é o preconceito vindo deles próprios. Senti na pele.

Não toleravam quem não nasceu fudido, quem não curtia rock n' roll, quem não se vestia rock n' roll, quem tem crença religiosa, por assim dizer, "positiva", certos ramos do Rn'R também não era aceito, julgavam todos, por qualquer detalhe, e ironicamente, reclamavam de serem coitadinhos injustiçados que sofrem preconceito. Essa era a desculpa por serem 'revoltadinhos'.

Meu caso
Eu tinha meus 15-16 anos, usava all star, roupas pretas, todas minhas camisas eram de banda (exceto uniforme escolar), tinha meu spike, tinha meu bracelete de couro, usava lápis preto nos olhos e um moicano, raspado a zero, que passou de 40cm de altura no seu auge, e em cor natural. Com isso, mesmo nunca me declarando anarquista, nem esquerdista de nenhuma das formas, muito menos punk, skinhead, oi!, ska, hippie, rastafári, grunge, sleaze, hardcore, emo, nem porra nenhuma, pelo contrario, sempre tive cuidado pra nunca me anunciar com rótulos, justamente para não me limitar.
Maaas né, spike, all star, moicano, -aah, o carinha alí é punk anarco.

Aí é o primeiro pré conceito mal formado.
Daí vem outro, logo após
-o cara mora no centro, playboy, tem grana,,
E assim aparece a junção dos dois pré conceitos e eu sou playboy pagando de AnarcoPunk
Porque pra eles, pra ser roqueiro tem que morar na vila e não estudo até o E. Médio. Aí tem essa questão de não ter a menor noção do que é ter dinheiro, a ignorância do que é que está em volta deles, mas esse é um ponto fútil,,
Ao contrario do outro ponto, que é não saber o que é a cultura punk.

Usando agora os três pioneiros do movimento: Ramones, Sex Pistols e The Clash.
Ramones não passava fome, tinham jaquetas de couro, drogas e uma gravadora. Naquela época, mal se imaginava internet, Eram conhecidos, porém, pelo mundo, tinham seus discos a venda até aqui no Brasil, que ta longe de ser 1º mundo até hoje, naqueles anos então..
Não existia 1/5 da globalização de hoje, mesmo assim, tocavam  em nossas rádios.

Sex Pistols podiam até ser fudidos mortos de fome, mas porra, a banda foi criada pra MARKETING, marketing pra uma loja de roupas. Porra, isso é capitalismo puro caralho.

Agora já vamos ao The Clash, meu favorito. Querido FrontMan da banda Londrina era filho de diplomata. Ele tinha dinheiro KCT. E era a banda com o "som menos punk rock" das três, mas com o dobro de ideologia.

Essa ignorância sobre a cultura punk, e, também sobre toda a cultura rock n' roll me da raiva. E esses merdas acham que são os Tr00. Vão se fuder.

Já tive meus dias de anti capitalismo, lembro do James Hetfield, em entrevista ao fantástico sobre o polemico Black Album, ele disse: "Claro que queríamos dinheiro. Quem não quer?"
Fiquei com ódio na hora, já não sou fã de Metallica.
Mas hoje, concordo. Com os dias passando, descobri que é verdade.
Sou capitalista e não tenho vergonha disso.
Mas, naqueles dias, não era.

E por causa de um moicano e um apartamento de nada alugado fora da vila, eu fui taxado como playboy pagando de punk. Até que um cara, com idade entre 23 e 30 anos  -não sei bem-, resolveu fazer alguma coisa sobre isso. Foi intimidar um pirralho de 15 anos com uma faca e uns 10 bêbados do lado, rindo. Por causa de um corte de cabelo. Meus graandes amigos (sempre) deram 4 passos distante de mim, cumprimentaram o cara, abraçaram, beberam da cachaça dele enquanto me assistiam levando soco na boca e ameaças com faca.
Eu, que já estava me afastando daquele "movimento" e aquelas pessoas, me afastei de vez, correndo.

Puro preconceito e discriminação de pessoas toscas, fúteis e ignorantes que vivem pra reclamar que sofrem preconceito e discriminação. Irônico né?!

Minha opinião também, nunca questionada. Só aparência e endereço bastam. né

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